Nasceste hoje e trouxeste contigo um dia feliz, o dia mais feliz da vida dos teus Pais. Um dia que tu próprio decidiste que seria este 11 de Novembro, e que os teus Pais aguardavam há muito mais do que nove meses. Sabes, o sonho de ti nasceu há muito tempo, talvez até no tempo em que a tua Mãe brincava às bonecas, contando-lhes histórias e conversas imaginárias do mundo dos crescidos.
O teu Pai, como qualquer rapaz, terá despertado mais tarde para a ideia de ter um filho, afinal de contas ser pai é coisa de adultos. Os rapazes, como tu Mateus, gostam de jogar à bola, às lutas e aos cowboys - e por mais que cresçam serão sempre crianças.
Mas o desejo de te ver chegar chegou um dia, e tu decidiste tomar o teu tempo. Talvez seja um sinal precoce de preguiça, ou de teimosia, não importa. O caminho por que te demoraste pode ter sido longo, mas é uma história antiga já, e com um final feliz. E aprenderás durante a vida que muitas das suas maiores alegrias são as que mais custam a conquistar, que os sonhos ganham-se pela persistência dos que ousam nunca desistir.
Nasceste hoje, e estivemos todos lá, até a tua tia Constança veio de Espanha com a Mina só para te ver. Estiveram os teus avós, os teus tios e os teus primos, que passaram o tempo a jogar às escondidas e aos abraços na cafetaria do hospital, à espera de te ver. Estivemos todos juntos, como estivemos sempre. Antes de te ver, vi-te no sorriso transbordante do teu Pai, uma expressão nova no olhar, a alegria de um alpinista no topo de uma montanha.
Foi uma viagem intensa a dos teus Pais, feita de altos e de baixos, de lágrimas que hoje são todas de felicidade. Por ti Mateus, pela tua viagem, uma viagem que acabou de começar.